Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10773/9281
Title: Bullying nas escolas: prevenção e intervenção
Author: Sá, José Ilídio Alves de
Advisor: Silva, José Alexandre da Rocha Ventura
Keywords: Administração escolar
Psicologia social
Comportamento anti-social
Violência escolar
Agressividade
Papel da escola: Programas de prevenção e intervenção
Projectos piloto: Ensino básico 3º ciclo: Portugal
Defense Date: 2012
Publisher: Universidade de Aveiro
Abstract: A temática da violência (e do bullying) nas escolas em Portugal tem vindo, nos anos mais recentes, a assumir uma crescente visibilidade fruto de variados fatores, entre os quais podemos destacar o aparente aumento no número de incidentes reportados envolvendo alunos, professores e pessoal não docente ou, ainda, como resultado da maior atenção dispensada ao(s) fenómeno(s) pela comunicação social. Na relação que se estabelece entre alunos, o bullying (e ultimamente o cyberbullying) tem igualmente ocupado um maior espaço de discussão no contexto português pela elevada complexidade que o carateriza e pelas diversas consequências negativas e irreversíveis que acarreta para vítimas, agressores, famílias e escolas. Para que sejam encontradas estratégias e soluções eficazes na abordagem ao(s) fenómeno(s), torna-se necessário aprofundar – e partilhar – o(s) conhecimento(s) em torno dos fatores e das dinâmicas que caraterizam o fenómeno e que contribuem para a sua (re)ocorrência. Procurámos, portanto, refletir sobre o papel que a escola, enquanto organização com uma missão muito própria ‒ e todos os demais elementos que a integram (diretores, docentes, assistentes operacionais, alunos e respetivas famílias) ‒ devem efetivamente desempenhar no sentido de serem promovidas e implementadas políticas e medidas que possam acautelar e solucionar quaisquer manifestações de violência, com especial incidência nos episódios de bullying. Sobressai, em primeira instância, a necessidade de sensibilizar e de mobilizar toda a comunidade escolar, prestando especial atenção ao papel vital que cada sujeito desempenha. Destaque-se, por outro lado, a aposta que deve ser feita na vertente da (in)formação de professores, não docentes, alunos e pais com o claro propósito de serem criados climas de escola positivos e seguros. Dividimos o trabalho empírico da nossa investigação em dois momentos. Do estudo comparativo (resultante da recolha de informação baseada na pesquisa e análise documental) que levámos a cabo na primeira parte a um conjunto de doze programas de prevenção e de intervenção de bullying implementados (e igualmente avaliados) em países anglo-saxónicos, procurámos identificar os seus componentes fundamentais (princípios teóricos subjacentes às intervenções, objetivos pretendidos, destinatários, níveis/fases de ação, componentes/estratégias de atuação e materiais de apoio disponibilizados). Pudemos verificar que essas iniciativas assentaram numa perspetiva sistémica da problemática do bullying que sublinha a necessidade de mudanças persistentes e contibuadas ao nível da sensibilização, da consciencialização e de transformações nas atitudes da população escolar no seu todo. Este exercício possibilitou, por outro lado, a identificação e a assimiliação de algumas das boas práticas experimentadas com esses programas. Na segunda parte, desenvolvemos um projeto-piloto numa escola Secundária com o 3.º Ciclo do Ensino Básico ao longo do ano letivo de 2010/2011 (envolvendo diretamente na iniciativa duas turmas ‒ uma do 7.º e outra do 10.º ano ‒ e os respetivos professores), sendo de destacar que a temática se tornou mais familiar para a maior parte dos participantes (por via da mobilização, da sensibilização e da formação desses atores). Na sequência da aplicação de dois questionários a 190 alunos no âmbito do projeto-piloto, foi ainda possível apurar que as percentagens de vitimação de bullying presencial moderado se situam abaixo dos 10%, sendo que para as ofensas sofridas de modo mais intenso esses níveis não ultrapassam os 5% para qualquer uma das formas de agressão apresentadas. Os dados indicaram igualmente as ofensas diretas verbais e indiretas como sendo as mais frequentes entre os inquiridos, surgindo em terceiro lugar as de pendor direto físico. Os índices de vitimação apresentam valores superiores junto dos alunos mais novos, independentemente do seu género. Perto de 45% dos sujeitos objeto de agressão admitiu não ter reportado o sucedido a uma terceira pessoa. Cerca de 27% dos jovens confessou assumir uma atitude passiva ou de indiferença perante uma agressão testemunhada. Foi, por outro lado, possível constatar que um conjunto significativo de jovens admitiu conhecer um colega da escola que tenha sido já gozado ou ameaçado no ciberespaço.
School violence (and bullying) in Portuguese schools has undeniably assumed an increasing visibility in recent years due to multiple factors such as the apparent increase in the number of incidents involving students, teachers and other staff members or even as a result of the wider attention that has lately been given to the problem by the mass media. In the relationships which are continuously established between students, bullying (and in recent years cyberbullying) has acquired wider visibility in the Portuguese context due to its high complexity and violence and evidently because of the harmful and additional irreversible consequences that it causes in the lives of victims, aggressors, families and schools. In order to attain effective strategies and solutions to face this specific problem, it is indispensable for researchers and for educators to develop – and subsequently share – the knowledge that has been obtained in relation to the factors and the dynamics that contribute to the flourishing of the phenomenon. We, therefore, attempted to focus on the leading role of the school (and its headmasters, staff, students and families) as an organization with a specific mission should play in order to promote and implement effective policies that ought to both avoid and solve all types of violent behaviours, especially those that involve bullying incidents. Measures must thus focus on the awareness and mobilization of the school community as a whole, with special incidence in the vital role that each subject plays as a central actor. Teacher, non-teaching staff, student and parent education should as a result generate both a positive and secure school ethos. We divided the empirical work of our investigation in two separate moments. In the comparative study (based on documentary research and analysis) which we developed in the first part with twelve prevention and intervention bullying programs that were implemented (and evaluated) in English-speaking countries, we tried to identify the(ir) fundamental and common components (theoretical principles, aims, targets, levels/phases, strategies and support resources). We were able to observe that those initiatives were based on a systemic perspective of the bullying phenomenon which emphasizes the need to undertake changes in terms of awarenesse-raising and modifications in attitudes of all school members. This exercise also gave us the opportunity to identify and assimilate some of the good practices which were experimented with these programs. In the second part, we developed a pilot-project in a Secondary school with Third Cycle (7th to 9th grades) throughout the school year of 2010/2011 (directly involving two classes in the project – 7th and 10th graders – as well as all their teachers), and it was possible to verify that the topic bullying became significantly much more familiar to most of the participants (especially as the result of the mobilization, awareness-raising and formation of those subjects). As a result of the implementation of a questionnaire (involving a total of 190 students), it was also possible to verify that the levels of moderate face-to-face bullying victimization are lower than 10%, whereas those that involve students in a more severe way do not surpass 5% in any of the types of aggression that were presented. The figures also indicate direct verbal and indirect forms of offenses as the most common amongst these youngsters, whereas the direct physical ones appear in third place. Furthermore, the frequency of victimization episodes are also higher with younger students, despite their gender. Almost 45% of the students who were victimized confessed that they had not told anyone else about the situation. Approximately 27% of the respondents admitted having a passive or indifferent attitude in relation to an aggression that they had witnessed. On the other hand, it was possible to confirm that a significant number of youngsters knew another friend at school who hadbeen, at some time, ridiculed or threatened in cyberspace.
Description: Doutoramento em Ciências da Educação
URI: http://hdl.handle.net/10773/9281
Appears in Collections:UA - Teses de doutoramento
DEP - Teses de doutoramento

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