Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10773/22807
Title: Influência de fatores antropogénicos na comunidade de tartarugas marinhas em águas continentais portuguesas
Other Titles: Influence of anthropogenic factors in the comunity of sea turtles in portuguese continental waters
Author: Nicolau, Lídia Ventura Ramos
Advisor: Soares, Amadeu
Eira, Catarina Isabel da Costa Simões
Keywords: Tartarugas marinhas - Portugal
Poluição marinha
Resíduos
Defense Date: 2017
Publisher: Universidade de Aveiro
Abstract: As tartarugas marinhas são um dos grupos da megafauna marinha que mais sofreram com os impactos das atividades antropogénicas. As ameaças mais significativas incluem a captura direta, o desenvolvimento costeiro, a poluição e agentes patogénicos, o aquecimento global e os impactos das pescas. As tartarugas marinhas encontram-se protegidas por vários protocolos internacionais, incluindo a Convenção CITES, as Convenções de Bona e de Berna e a Diretiva Habitats. Recentemente foram definidas a nível global as “Unidades de Gestão Regionais” (RMU’s) para as várias espécies de tartarugas marinhas. Nas águas continentais portuguesas existem registos de ocorrência de 5 espécies de tartarugas marinhas, sendo que as mais abundantes são a tartaruga comum (Caretta caretta) e a tartaruga de couro (Dermochelys coriacea). As tartarugas comuns que ocorrem na costa continental portuguesa pertencem às RMU’s do Atlântico Noroeste e do Mediterrâneo, que se encontram classificadas como unidades de “Risco Baixo – Ameaça Elevada”. Enquanto, as tartarugas de couro que ocorrem na costa continental portuguesa pertencem à RMU do Atlântico Noroeste e esta unidade de gestão encontra-se classificada como “Risco baixo - Ameaça baixa”. O presente trabalho pretende aprofundar vários aspetos da ecologia das tartarugas marinhas ao longo da costa continental portuguesa, onde a informação era anteriormente bastante escassa. Foi dado um maior enfoque à tartaruga comum por ser a espécie mais abundante ao longo desta costa. Para esta espécie, foram estudados aspetos relacionados com a distribuição e causa dos arrojamentos, dieta e principais ameaças, de modo a promover e a poder contribuir para a sua conservação nas águas continentais portuguesas. No que se refere à análise dos arrojamentos de tartarugas marinhas em Portugal Continental, de 1978 a 2013 contabilizaram-se 806 arrojamentos dos quais 57.1% corresponderam a indivíduos de tartaruga comum e 41.8% corresponderam a indivíduos de tartaruga de couro. Embora se pensasse anteriormente que estas duas espécies de repteis marinhos eram visitantes ocasionais na costa continental portuguesa, os resultados do presente estudo mostram pela primeira vez que as águas continentais portuguesas são importantes corredores migratórios para a tartaruga comum e para tartaruga de couro na região do Atlântico Norte. Foi também possível verificar que a densidade relativa de arrojamentos de tartaruga comum tem vindo a aumentar nos últimos anos, sendo que a maior densidade relativa de arrojamentos de tartaruga comum ocorre na costa Sul de Portugal durante a primavera e o verão. A análise das causas de arrojamento e mortalidade revelaram que a interação com as pescas é uma ameaça importante a ter em conta na definição de futuras medidas de conservação para as tartarugas marinhas na costa portuguesa.Relativamente à ecologia alimentar das tartarugas comuns, foram analisados 95 tratos digestivos de tartarugas comuns arrojadas na costa continental Portuguesa entre 2010 e 2013. Os crustáceos são o principal grupo de presas na dieta da tartaruga comum na costa continental Portuguesa, sendo o pilado (Polybius henslowii) e os caranguejos eremitas (Pagurus spp.) as espécies mais importantes. Neste estudo, 41 espécies e 6 géneros constituíram novos registos para a dieta da tartaruga comum. As tartarugas comuns na costa continental portuguesa têm uma estratégia alimentar oportunista, embora pareça existir uma certa especialização relativamente ao pilado, a qual pode estar relacionada com a abundância deste caranguejo ao longo da costa continental portuguesa. Assim, além de ter sido demonstrada a importância das águas continentais portuguesas como corredor migratório para a tartaruga comum e para a tartaruga de couro, foi também demonstrado pela primeira vez que as águas continentais portuguesas são importantes zonas de alimentação para a tartaruga comum. As tartarugas marinhas foram recentemente propostas a nível Europeu como indicadores de bom estado ambiental (GES) no âmbito da MSFD (2008/56/CE), com maior importância para a monitorização do descritor D10 referente à variação de abundância de lixo marinho. Neste âmbito, e considerando ainda as 95 tartarugas comuns cujos tratos digestivos foram analisados, foi verificado que 56 indivíduos (59.0%) apresentaram lixo no trato digestivo, dos quais mais de metade das tartarugas comuns com lixo ingerido (56.8%) tinha ingerido itens de plástico. Além do lixo marinho, foi ainda possível aprofundar outro tema relacionado com a poluição dos oceanos, neste caso a contaminação por elementos inorgânicos em vários tecidos de tartarugas comuns. Neste estudo foram analisadas 38 tartarugas comuns e os resultados evidenciaram concentrações elevadas de cádmio (34.67 ± 3.21 μg/g, peso húmido tecido renal), que poderão contribuir para a deterioração da saúde dos indivíduos. A ocorrência de cádmio poderá estar relacionada com o consumo de caranguejo pilado, Polybius henslowii, a presa principal da tartaruga comum em Portugal, com possíveis implicações no futuro para a monitorização da poluição por cádmio no meio marinho. O presente estudo, envolvendo vários aspetos da ecologia das tartarugas marinhas, é pioneiro em Portugal e fornece uma importante base para o desenvolvimento de futuros esforços de conservação das tartarugas marinhas na costa continental Portuguesa. A elevada frequência de ocorrência de lixo nos tratos digestivos observada neste estudo sustenta o uso da tartaruga comum como um indicador adequado para a monitorização de padrões de ocorrência de lixo marinho, conforme requerido para uma correta implementação da MSFD (2008/56/CE). No seu conjunto, os trabalhos de monitorização dos arrojamentos, da evolução da dieta, da presença de lixo marinho nos tratos digestivos e dos níveis de contaminação das tartarugas marinhas, poderão ajudar a delinear medidas para a sua conservação no âmbito da aplicação de Diretivas Europeias, nomeadamente no âmbito da já referida Diretiva 2008/56/EC que estabelece diretrizes no campo da política para o ambiente marinho na União Europeia.
Among marine megafauna, sea turtles were highly impacted by anthropogenic activities. The most significant threats include direct take, coastal development, pollution and pathogens, global warming and the impacts of fisheries. Sea turtles are protected by various international protocols, including CITES, the Bonn Convention, the Bern Convention and the Habitats Directive. Recently "Regional Management Units" (RMU's) were defined for several sea turtle species worldwide. In portuguese continental waters the occurrence of 5 species of sea turtles were recorded, and the most abundant are the loggerhead sea turtle (Caretta caretta) and the leatherback turtle (Dermochelys coriacea). Loggerhead turtles that occur in the Portuguese coast belong to Northwest Atlantic RMU and the Mediterranean RMU, which are classified as units of "Low Risk - High Threat". As for the leatherback turtles that occur in the Portuguese coast, they belong to the Northwest Atlantic RMU and this management unit is classified as "Low risk - Low threat" This work shed light onto various aspects of the ecology of sea turtles along the Portuguese coast, where information was previously very scarce. A greater focus was put on loggerhead sea turtles since this is the most abundant species along this coast. As such, aspects related with loggerhead distribution and causes of strandings, their diet and major threats were evaluated in order to promote and contribute to their conservation in Portuguese continental waters. With respect to the analysis of marine turtle strandings in Portugal, in the period 1978-2013 806 strandings were recorded including mostly loggerheads (57.1%) and leatherbacks (41.8%). Although these two species of marine reptiles had been previously considered occasional visitors in the Portuguese coast, the present study shows for the first time that the Portuguese continental waters are important migratory corridors for the loggerhead sea turtle and leatherback turtle in the North Atlantic region. It was also possible to verify that the relative density of loggerhead sea turtle strandings has been increasing over the recent years. Also, higher relative density values of loggerhead sea turtle strandings occur in the south coast of Portugal during spring and summer. The analysis of the causes of stranding and mortality revealed that interaction with fisheries is a major threat, which should be taken into account when defining future conservation measures for sea turtles in the Portuguese coast. Regarding the feeding ecology of loggerhead sea turtles, we analyzed 95 digestive tracts of loggerhead turtles, stranded along the Portuguese continental coast, between 2010 and 2013. In the Portuguese continental coast, crustaceans are the main loggerhead preys. The Henslow’s swimming crab (Polybius henslowii) and hermit crabs (Pagurus spp.) are the most important species. In this study, 41 species and six genera constituted new records for the diet of loggerhead sea turtles in the Portuguese coast. Loggerhead sea turtles have an opportunistic feeding strategy, although they appear to show a cerain specialis character with respect to Henslow’s swimming crab, which may be related with the abundance of this crab in this area. Apart from demonstrating the importance of Portuguese continental waters as a migratory corridor for both loggerhead leatherback turtle, the present study also demonstrated for the first time that Portuguese continental waters are important feeding grounds for loggerhead sea turtles. Sea turtles have recently been proposed at European level as good environmental status indicators (GES) under the MSFD (2008/56/EC), particularly with respect to monitoring descriptor D10 relating to changes in abundance of marine debris. In this context, out of the 95 loggerhead sea turtles whose digestive tracts were analyzed, 56 turtles (59.0%) had marine litter in their tracts, and more than half of the loggerhead turtles with ingested litter (56.8%) had ingested plastic items. In addition to marine debris, it was also possible to deepen other aspects related with ocean pollution, such as the levels of inorganic elements in various tissues of loggerhead turtles. This study analyzed 38 loggerhead sea turtles and the results showed high concentrations of cadmium (34.67 ± 3.21 μg/g, ww kidney tissue), which may contribute to the deterioration of turtle health. The occurrence of high cadmium concentrations may be related to the consumption of Henslow’s swimming crab, the main prey of the loggerhead sea turtle in Portugal, with possible implications in the future for monitoring cadmium pollution in the marine environment. This study, involving various aspects of the ecology of marine turtles, is a pioneer in Portugal and provides an important basis for the development of future sea turtle conservation efforts in the Portuguese mainland coast. The high marine litter frequency of occurrence in the digestive tracts in this study supports the use of the loggerhead sea turtle as a suitable indicator for monitoring marine debris occurrence patterns as required for a proper implementation of the MSFD (2008/56/EC). Overall, monitoring marine turtle strandings, the evolution of their diet, the presence of marine litter in their digestive tracts and their contamination levels may help to outline measures for their conservation whitin several European Directives frameworks, particularly in the context of the aforementioned Directive 2008/56/EC which establishes guidelines for marine environment policies in the European Union.
Description: Doutoramento em Biologia e Ecologia das Alterações Globais – ramo Biologia e Ecologia Marinha
URI: http://hdl.handle.net/10773/22807
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