Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10773/15886
Title: Between Bacchus and Dionysus: European Union policies on rural development: the cases of Nemea and Basto wine regions
Other Titles: Entre Baco e Dionísio: as políticas da União Europeia para o desenvolvimento rural: os casos das regiões vitivinícolas de Nemea e Basto
Author: Ribeiro, José Duarte Medeiros
Advisor: Rodrigues, Carlos José
Figueiredo, Elisabete Maria Melo
Keywords: Planeamento regional e urbano
Desenvolvimento rural
Política regional - União Europeia
Vinicultura - Basto (Portugal)
Vinicultura - Nemea (Grécia)
Defense Date: 2015
Publisher: Universidade de Aveiro
Abstract: A actividade vitivinícola possui um conjunto diverso de características presentes no solo, território e comunidade que fazem parte do património cultural de uma determinada região. Quando a tradição se traduz num conceito como terroir que é formado por características territoriais, sociais e culturais de uma região rural, o vinho apresenta uma “assinatura” que se escreve “naturalmente” no paladar regionalmente identificado. Os vinhos da Região de Nemea, na Grécia e de Basto (Região dos Vinhos Verdes) em Portugal, estão ambos sob a proteção dos regulamentos das Denominações de Origem. No entanto, apesar de ambos serem regulados por sistemas institucionais de certificação e controlo de qualidade, afigura-se a necessidade de questionar se o património cultural e a identidade territorial específica, “impressa” em ambos os terroirs, pode ser protegida num sentido mais abrangente do que apenas origem e qualidade. Em Nemea, a discussão entre os produtores diz respeito ao estabelecimento de sub-zonas, isto é incluir na regulação PDO uma diferente categorização territorial com base no terroir. Ou seja, para além de estar presente no rótulo a designação PDO, as garrafas incluirão ainda informação certificada sobre a área específica (dentro do mesmo terroir) onde o vinho foi produzido. A acontecer resultaria em diferentes status de qualidade de acordo com as diferentes aldeias de Nemea onde as vinhas estão localizadas. O que teria possíveis impactos no valor das propriedades e no uso dos solos. Para além disso, a não participação da Cooperativa de Nemea na SON (a associação local de produtores de vinho) e como tal na discussão principal sobre as mudanças e os desafios sobre o terroir de Nemea constitui um problema no sector vitivinícola de Nemea. Em primeiro lugar estabelece uma relação de não-comunicação entre os dois mais importantes agentes desse sector – as companhias vinícolas e a Cooperativa. Em segundo lugar porque constituiu uma possibilidade real, não só para os viticultores ficarem arredados dessa discussão, como também (porque não representados pela cooperativa) ficar impossibilitado um consenso sobre as mudanças discutidas. Isto poderá criar um ‘clima’ de desconfiança levando a discussão para ‘arenas’ deslocalizadas e como tal para decisões ‘desterritorializadas’ Em Basto, há vários produtores que começaram a vender a sua produção para distribuidoras localizadas externamente à sub-região de Basto, mas dentro da Região dos Vinhos Verdes, uma vez que essas companhias tem um melhor estatuto nacional e internacional e uma melhor rede de exportações. Isto está ainda relacionado com uma competição por uma melhor rede de contactos e status mais forte, tornando as discussões sobre estratégias comuns para o desenvolvimento rural e regional de Basto mais difícil de acontecer (sobre isto a palavra impossível foi constantemente usada durante as entrevistas com os produtores de vinho). A relação predominante entre produtores é caracterizada por relações individualistas. Contudo foi observado que essas posições são ainda caracterizadas por uma desconfiança no interior da rede interprofissional local: conflitos para conseguir os mesmos potenciais clientes; comprar uvas a viticultores com melhor rácio qualidade/preço; estratégias individuais para conseguir um melhor status político na relação com a Comissão dos Vinhos Verdes. Para além disso a inexistência de uma activa intermediação institucional (autoridades municipais e a Comissão de Vinho Verde), a inexistência entre os produtores de Basto de uma associação ou mesmo a inexistência de uma cooperativa local tem levado a região de Basto a uma posição de subpromoção nas estratégias de promoção do Vinho Verde em comparação com outras sub-regiões. É também evidente pelos resultados que as mudanças no sector vitivinícolas na região de Basto têm sido estimuladas de fora da região (em resposta também às necessidades dos mercados internacionais) e raramente de dentro – mais uma vez, ‘arenas’ não localizadas e como tal decisões desterritorializadas. Nesse sentido, toda essa discussão e planeamento estratégico, terão um papel vital na preservação da identidade localizada do terroir perante os riscos de descaracterização e desterritorialização. Em suma, para ambos os casos, um dos maiores desafios parece ser como preservar o terroir vitivinícola e como tal o seu carácter e identidade local, quando a rede interprofissional em ambas as regiões se caracteriza, tanto por relações não-consensuais em Nemea como pelo modus operandi de isolamento sem comunicação em Basto. Como tal há uma necessidade de envolvimento entre os diversos agentes e as autoridades locais no sentido de uma rede localizada de governança. Assim sendo, em ambas as regiões, a existência dessa rede é essencial para prevenir os efeitos negativos na identidade do produto e na sua produção. Uma estratégia de planeamento integrado para o sector será vital para preservar essa identidade, prevenindo a sua desterritorialização através de uma restruturação do conhecimento tradicional em simultâneo com a democratização do acesso ao conhecimento das técnicas modernas de produção vitivinícola.
Wine growing and producing has a diverse set of characteristics that reflects on territory and the community of a region’s cultural heritage. In countries like Portugal and Greece, where the wine history is almost so long as the country’s history itself, this cultural heritage is deep rooted on a long past constructed tradition. When this tradition is translated into a concept like terroir that is embedded by specific territorial, social and cultural characteristics of a rural region, the wine bears a “signature” present on the “natural” taste regionally identified. On the recent years there is a renewed interest on the notion of terroir, where discussions arose about the preservation/re-creation of terroirs on the ongoing process of history. One of most used protection of wine terroirs lies on geographical indications property rights instruments. On the context of European Union the commonly used is Protected Designation of Origin (PDO), strongly influenced by the French appellation d’origine côntrolée (AOC). Nemea (Greece) and Basto (Portugal) are two high quality demarcated wines regions (VQPRD) under the protection of labels of origin that in legal terms have (commonly) the format of Geographical Indications (GIs). Despite both follow institutional overseeing certification systems and quality control, recent discussions have emerged on the reconstruction of local/traditional knowledge and thus on the reconstruction of both regions terroir’s. Therefore, those discussions arose challenges to rural development of the regions between the preservation of localness (implicit on the protection by labels of origin) and the threats of de-territorialization. In Nemea, the discussion among the wine producers concerns the establishment of sub-appellations. Therefore, if formally established, there will be included on the bottles (besides the general Nemea PDO label) certified labelling of the specific rural community (inside Nemea region). We observed that may result into different status of quality accordingly to different sub-zones of Nemea wine appellation. The opposers believe that this changes will have impacts on property values and also confusion between consumers regarding Nemea wine will be brought. Besides, the non-participation of Nemea Wine Cooperative on SON (the local interprofessional association of producers) and thus on the main table of the discussion about the changes on the terroir of Nemea, constitutes a problem on the chain of Nemea network. It establishes, at first, a non-communication between the two most important stakeholders in Nemea – the private wineries and the cooperative. Second, it constitutes a real possibility for, not only the rural community (farmers and other inhabitants that have a indirect relation with the wine economy) be set apart from the discussion as a important stakeholder, but also (because not represented by the cooperative) an overall consensus over the discussed changes will be almost impossible. This can create a ‘climate’ of distrust and driven the discussion through non-localized ‘arenas’ and thus to de-territorialized decisions. In Basto there are, increasingly, closer relations between wine producers and bigger companies located elsewhere than between themselves. This is related with a conflicting competition for stronger network and status, making discussions on common strategies for Basto wine region(al) rural development very difficult to take place (regarding this the word impossible was constantly used during interviews with wine producers). The predominant relation between producers is characterised by individualistic positions. However, we observed that those positions are augmented by the distrust within the local interprofessional network: struggling for the same potential clients; to buy (grapes) from vinegrowers with better price/quality ratio; conflicts for better social and political status on the relation with the Vinho Verde Commission. Furthermore, the lack of institutional active intermediation (municipal authorities and Vinho Verde Commission), the inexistence of a Basto wine producers association or even the inexistence of a local cooperative has leading to the sub-promotion position of Basto on Vinho Verde promotion schemes in comparison with others sub-regions. It was also evident from the results that the changes on Basto’s wine sector have been stimulated from outside (in response to international markets needs) and barely from within – once more, non-localized ‘arenas’ and thus deterritorialized decisions. In sum, for both cases, the main challenge appears to be how to preserve wine terroir and therefore its localness, when the interprofessional network is being driven in a way of, either non-consensus relations (Nemea) or isolated modus operandi without discussions at all (Basto). There is indeed a needed ‘spark’ for all involved actors and local authorities to come together – a necessity of localized governance networks. Therefore, in both wine regions, the existence of localized governance is essential to prevent the negative effects on terroir’s identity and wine production localness through strategical planning involving all stakeholders and political authorities both at local and regional level. This integrated strategical planning will only play a vital role to preserve localness over de-territorialisation if able to mobilize reterritorialization under a re-shaping of traditional knowledge along with the winemaking modern techniques.
Description: Mestrado em Planeamento Regional e Urbano
URI: http://hdl.handle.net/10773/15886
Appears in Collections:DCSPT - Dissertações de mestrado
UA - Dissertações de mestrado



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