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 Factores geográficos associados ao desencadeamento de acidentes neurológicos
Please use this identifier to cite or link to this item http://hdl.handle.net/10773/2712

title: Factores geográficos associados ao desencadeamento de acidentes neurológicos
authors: Marques, Ana Isabel de Oliveira
advisors: Silva, Maria Carolina Costa e
Rocha, Tavares
keywords: Minerais e rochas industriais
Acidente vascular cerebral
Água
Geologia
Doenças cardiovasculares
issue date: 2008
publisher: Universidade de Aveiro
abstract: Introdução Durante um período de 2 anos, Outubro de 1998 a Setembro de 2000, decorreu na região norte de Portugal um estudo de incidência de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e acidentes isquémicos transitórios (AIT), em populações urbanas da cidade do Porto e rurais do distrito de Vila Real. Os resultados apontaram para uma alta taxa de incidência, podendo estimar-se que 28.000 pessoas em Portugal sofriam anualmente um primeiro AVC na vida, sendo este número superior nas regiões rurais em comparação com as urbanas, 30.500 e 26.900, respectivamente. Este contraste era ainda mais marcante a partir dos 65 anos de idade, quase duplicando a taxa de incidência nas áreas rurais entre os 75 e 84 anos, 20,2 vs. 10,9 por 1000 por ano. A acrescentar às diferentes condições sócio-demográficas, existem factores ambientais, meteorológicos e geológicos, bem diferentes nas duas áreas em estudo, que podem ser responsáveis pela alta incidência na região e simultaneamente pela assimetria urbano/rural. Objectivos Estudar a relação entre factores meteorológicos e geológicos e a ocorrência do primeiro acidente neurológico na vida, identificando indicadores de risco acrescido, numa tentativa de explicar as assimetrias verificadas na distribuição espacial da incidência. Material e Métodos Foram usadas várias fontes de informação para obtenção de dados referentes à população abrangida, ocorrência de acidentes neurológicos, parâmetros meteorológicos, análise química da água e topografia. A população alvo foi constituída pelos residentes em 10 freguesias da cidade do Porto (n=95.506) e no concelho de Vila Pouca de Aguiar (n=14.997), num total de 110.504 indivíduos segundo o Censo de 2001. As ocorrências de acidentes neurológicos constavam do registo prospectivo do primeiro AVC ou AIT na vida ocorrido durante o período de 1 de Outubro de 1998 a 30 de Setembro de 2000 (ACINrpc), num total de 678 ocorrências, 526 no Porto e 152 em Vila Pouca de Aguiar. A informação sobre os parâmetros meteorológicos pertence à série secular do Observatório da Serra do Pilar (Porto) e do Observatório de Vila Real (Vila Pouca de Aguiar), incluindo os registos diários da temperatura máxima e mínima, pressão atmosférica, humidade relativa e precipitação, durante o período de 15 de Setembro de 1998 a 15 de Outubro de 2000. Para obtenção de registos da composição química da água de abastecimento, recorreu-se aos dados registados por rotina pelo Departamento de Hidrogeologia do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação - INETI (actual Laboratório Nacional de Energia e Geologia – LNEG), relatórios trimestrais dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento do Porto (SMAS) e relatório das Águas Douro e Paiva, cujas análises são realizadas à saída do reservatório de Nova Sintra – Jovim, no caso do Porto. Para Vila Pouca de Aguiar recorreu-se ainda à análise de amostras de água entre 1998 e 2000, recolhidas pela Autoridade de Saúde Pública da Sub-Região de Saúde de Vila Real, entre Setembro de 1998 e Outubro de 2000. Estas bases de dados foram partes integrantes de um Sistema geográfico de informação (SIG) que esteve subjacente à análise da distribuição espacial das taxas de incidência de ÁVC e AIT e identificação das áreas de alto risco.A partir da análise da sazonalidade dos acidentes neurológicos, identificaram-se os factores meteorológicos e o “timing” de exposição. Procedeu-se de modo semelhante em relação à qualidade química da água, usando com indicador a dureza total. Por último analisou-se a associação espacial entre os indicadores de risco e as áreas de alta incidência de AVC e AIT. Resultados As taxas de incidência de AVC e AIT aumentam com a idade em ambas as áreas, aumento mais marcado a partir dos 65 anos, embora sempre superiores na área rural. Após padronização as taxas eram no período de estudo de 2,8 e 0,7 por 1000 no Porto e 4,6 e 1,5 por 1000 em Vila Pouca de Aguiar, respectivamente para AVC e AIT. A descrição e análise espacial das taxas de incidência padronizadas indicou um cluster de alto risco na zona mais ribeirinha do Porto (freguesias de São Nicolau, Sé e Miragaia) e nas freguesias mais limítrofes de Vila Pouca de Aguiar (Santa Marta da Montanha e Vreia de Jales). Relativamente à sazonalidade dos AVC, verifica-se um pico de ocorrência no Inverno em Vila Pouca de Aguiar e uma redução acentuada de ocorrências no Verão no Porto. No estudo dos parâmetros associados à sazonalidade dos acidentes neurológicos, a relação foi mais consistente (nas duas áreas) em relação à temperatura máxima no dia anterior ao acidente neurológico (AVC e AVC isquémico), verificando-se um aumento significativo de ocorrências nas 24h seguintes a uma exposição ao “frio” - temperatura máxima inferior a 20ºC e que o risco relativo de AVC no Porto quintuplicava após uma exposição a temperaturas inferiores a 10,7ºC. A ocorrência de acidentes neurológicos não estava associada de forma consistente aos outros parâmetros. Por outro lado verificou-se uma relação inversa entre a incidência de AVC e AIT e a dureza total da água. Nas áreas de risco elevado, freguesias de Sé e São Nicolau, a proporção de acidentes neurológicos após exposição ao frio é também superior, coincidindo com uma baixa dureza total da água. Conclusão O risco de AVC aumenta na área formada pelas freguesias de Sé, São Nicolau e Miragaia no Porto, em parte explicada por exposição a baixas temperaturas e coincidindo com um abastecimento de água menos dura. Em Vila Pouca de Aguiar não foi encontrada uma relação com a dureza total da água. Atendendo a que foi usado um estudo ecológico para testar a associação do risco de AVC com a dureza total da água, este resultado deve ser confirmado num futuro estudo prospectivo, particularmente em áreas rurais de baixa densidade populacional. ABSTRACT: Introduction A community-based study of a first neurological attack, stroke or transient ischemic attack (TIA), was undertaken in Northern Portugal for a two years period, from October 1998 to September 2000, involving urban populations from Porto and rural populations from Vila Real district. The results showed a high incidence rate, and it may be estimated that 28,000 residents in the region suffer a first ever in the life time stroke, this number increasing to 30,500 in rural populations and lower in urban populations, 26,900. This contrast was more marked for those 65 years and over, almost doubling the incidence rate in the rural populations between 75 and 84 years of age, 20.2 vs. 10.9 per 1000 per year. Besides the different socio-demographic characteristics, other well distinct environmental, meteorologic and geological factors exist, in the two study areas. These may be responsible for the high incidence in the region and simultaneously by the urban/rural asymmetry. Objective To study the relationship between meteorologic and geological factors and the occurrence of a first ever neurological attack and identifying indicators of an increase in risk, in order to explain asymmetries in the spatial distribution of incidence rates. Methodology Several sources of information were used to obtain data regarding the population, occurrence of neurological attacks, weather parameters, water quality and topography. The target population comprised the residents in 10 parishes from the city of Porto (n=95,506) and in the Vila Pouca de Aguiar municipality (n=14,997), a total of 110,504 persons in the 2001 Census. Data on neurological attacks was obtained from the ACINrpc project, a community-based incidence study registering all first ever events occurring between the 1st October 1998 and 30th September 2000, a total of 678 events, 526 in Porto and 152 in Vila Pouca de Aguiar Information on weather parameters was registered at the Observatório da Serra do Pilar (Porto) and Observatório de Vila Real (Vila Pouca de Aguiar), included maximum and minimum temperature, atmospheric pressure, relative humidity and precipitation in the 15th September 1998 to 15th October 2000 period. Water quality reports for the city of Porto were registered by the Hydrology Department of the National Institute of Engineering, Technology and Innovation and Municipal Services of Water and Sanitation and reports from Waters from Douro and Paiva; for Vila Pouca de Aguiar records were obtained from the Vila Real Local Public Health Authority, all for the study period. These data bases were integrated in a Geographical Information System (GIS) that underlies all analytic procedures for spatial distributions of stroke and TIA incidence rates and identification of high risk areas. Based on the seasonal analysis of stroke and TIA, weather parameters and exposure timing were studied. For water quality, the total of hardness was used as indicator. The fina l analysis attempts to find the relationship between the spatial distribution of risk factors and high incidence areas. Results Using as denominator the Census population, incidence rates of stroke and TIA increased with age in urban and rural populations, this increased being more marked for those 65 years and older, though always higher in rural compared with urban populations. After standardizing to the European population, the incidence for the study period was 2.8 and 0.7 per 1,000 in Porto and 4.6 and 1.5 per 1,000 for Vila Pouca de Aguiar, for stroke and TIA, respectively. Descriptive and spatial analyses of standardized incidence rates indicated a high risk cluster in the riverbank parishes of Porto (parishes of São Nicolau, Sé e Miragaia) and in the border parishes of Vila Pouca de Aguiar (Santa Marta da Montanha e Vreia de Jales). Stroke seasonality is characterised by a winter peak in Vila Pouca de Aguiar and a marked decrease during the summer months in Porto. The study of weather parameters related to stroke seasonality indicated a more consistent relationship (for both areas) with the maximum temperature in the day before the event (stroke or TIA). There was a significant increase in the number of neurological attacks in the day after cold exposure - maximum temperature below 20ºC and the relative risk of stroke in Porto was 5 times higher after exposure to a cold day (maximum temperature of 10.7ºC). Occurrence of neurological attacks was not consistently associated with other weather parameters. On the other hand there was an inverse relationship between stroke and TIA incidence and total water hardness. Within high risk areas, parishes of Sé and São Nicolau, the proportion of neurological attacks after cold exposure was higher then in other parishes, corresponding also to low water hardness areas. Conclusion Stroke risk increases in the river bank municipalities of Porto, Sé, São Nicolau and Miragaia, partly explained by cold weather exposure and low hardness water supply. In the rural area there was no relationship between stroke occurrence and water hardness. Since an ecological study was used to test the relationship between stroke risk and water hardness, this results should be confirmed by further prospective studies, particularly in rural areas with low population density.
description: Mestrado em Minerais e Rochas Industriais
URI: http://hdl.handle.net/10773/2712
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